Vaquinha eleitoral “tá indo pro brejo”

Em meio à desconfiança da população, crowdfunding arrecada pouco até agora. Esperança é que doações aumentem após a Copa

Uma das grandes novidades da eleição de 2018, a arrecadação de recursos para as campanhas por meio do financiamento coletivo, o chamado crowdfunding, constituía uma das esperanças dos candidatos para compensar a perda de receita com o fim das doações privadas. Mas o sistema, considerado um sucesso nas eleições dos Estados Unidos e de países Europa, até agora representa um retumbante fracasso. A vaquinha eleitoral parece caminhar para o brejo. Os valores são irrisórios, especialmente para candidaturas majoritárias e à Presidência. Entre os aspirantes ao Planalto, João Amoêdo (NOVO) é quem mais arrecadou até o momento: R$ 261 mil, seguido por Manuela D´Ávila (PCdoB), com R$ 40,3 mil, Guilherme Boulos (PSOL), com R$ 22,1 mil, e Álvaro Dias (PODEMOS), com R$ 17,9 mil.

Desconfiança

Há pelo menos 46 empresas registradas no TSE como aptas a prestar o serviço. As duas maiores são “Doação Legal” e “Apoia.Org”. Na primeira, há 1.164 candidaturas ativas e mais de R$ 1 milhão já foram arrecadados — o equivalente a menos de R$ 1 mil por candidato. Já a segunda plataforma arrecadou um pouco mais: doações de mais de R$ 526 mil para 312 candidatos registrados — R$ 1,7 mil para cada um, se o dinheiro fosse dividido equanimemente. Daniell Callirgos, CEO e fundador da Apoia.Org, reconhece o fracasso do modelo até agora. Para ele, é preciso maior fiscalização da Justiça Eleitoral.

“Há mais de 30 plataformas que não arrecadaram nem R$ 2 mil. É preciso um rigor maior no processo de aprovação das empresas”. Outro problema é a desconfiança da população e a falta de familiaridade dos políticos com o sistema de arrecadação. “O partido Novo é o que mais tem adotado essa política. Os demais ainda estão buscando entender melhor. Os candidatos têm medo de arriscar”. Apesar dos dissabores na largada, o CEO da Doação Legal, Luciano Antunes, ainda enxerga a situação com otimismo. A tendência, para ele, é de crescimento nas doações depois que acabar a Copa do Mundo. “Ainda há composições a serem feitas. Depois disso, os partidos vão ‘colocar o bloco na rua’ e a arrecadação tende a crescer”, afirmou.
Apesar de inédita no Brasil, a ferramenta foi amplamente usada em outros países. Em 2008, na primeira campanha de Barack Obama à Presidência dos EUA, foram arrecadados US$ 750 milhões em crowdfunding. Aqui, no entanto, a repetição do fenômeno parece uma miragem.

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