Aliança Centrão x Alckmin pulveriza candidatura de Meirelles

A decisão do Centrão de fechar aliança em favor de Geraldo Alckmin, do PSDB, cria dificuldades para Henrique Meirelles seguir com sua candidatura à Presidência pelo MDB. Liderado por Renan Calheiros (AL), há um grupo de emedebistas dispostos a fazer Meirelles desistir ou ser derrotado na convenção partidária em agosto. Além de Renan, engrossam essa ala o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), o senador Roberto Requião (PR) e o ex-presidente José Sarney (MA). O raciocínio é de que a candidatura de Meirelles, fechado o Centrão com Alckmin, reduz as chances de composição dos palanques regionais para o MDB. Assim, o fogo amigo contra o ex-presidente do Banco Central ganha ares de luta pela sobrevivência.

Bancada

A instituição da cláusula de barreira para as próximas eleições torna fundamental aos partidos eleger boa bancada de deputados federais. Isso definirá o tempo de TV e os recursos do fundo partidário para 2020 e 2022. Uma candidatura própria, argumentam, pode reduzir o arco de alianças, especialmente se ela não tiver muita chance eleitoral.

Não cola

Já os entusiastas da candidatura de Meirelles acreditam que esse movimento capitaneado por Renan Calheiros e companhia deve morrer no nascedouro. Eles partem da premissa que a candidatura própria é menos prejudicial ao partido que a neutralidade ou a aliança com outro presidenciável, porque de alguma forma projeta o partido na disputa. E eles dizem ter maioria no MDB.

Helô “puro sangue”

Longe da política nacional desde 2007, a ex-senadora Heloisa Helena é uma das opções para a “solução puro sangue” de Marina Silva como sua candidata a vice-presidente na chapa da Rede. O nome surgiu após debate entre militantes da legenda nas redes sociais. Para alguns, ela tem o temperamento certo para bater de frente com Jair Bolsonaro, do PSL, preservando a mais serena Marina Silva.

Rápidas

* Há uma eleição nacional e outra bem diferente nos Estados. A fragmentada e imprevisível disputa deste ano deverá levar a situações muito distintas nos palanques nacionais e regionais. Partidos aliados nacionalmente vão se enfrentar regionalmente.

* Da mesma forma, aliados regionais serão adversários nacionais. No Piauí, por exemplo, o PP, que se aliou nacionalmente ao tucano Geraldo Alckmin, é o principal aliado do PT do governador Wellington Dias.

* Em Goiás, o governador José Eliton, do PSDB, tem como adversário o senador Ronaldo Caiado, do DEM, embora nacionalmente ambos estejam no palanque de Alckmin. Aliás, o DEM deve fazer o vice dos tucanos.

* Mesmo em São Paulo, essa divisão existe. O PR estará com Márcio França, do PSB. O DEM, com João Dória, do PSDB. No Estado, porém, Geraldo Alckmin deverá ter o apoio dos dois candidatos a governador.

Durante meses, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, negociou apoio com os partidos do Centrão, especialmente com o PR. Ao vê-los fechar com Geraldo Alckmin, do PSDB, chamou o Centrão de “escória”. O deputado Marcus Pestana lembra a ISTOÉ que Bolsonaro foi por anos filiado ao PP, um dos principais partidos do Centrão. “O discurso anti-política de Bolsonaro é uma farsa. Ele é deputado há anos, totalmente vinculado às legendas e ao jogo político que diz combater”, ataca Pestana.

Nova Câmara

Apesar da campanha para deputado federal ainda não ter começado, muitos partidos já fazem conta de como será a bancada federal após as eleições de outubro. Lideranças na Câmara acreditam que existirá um movimento de fragmentação de forças na Casa após o pleito. Ou seja: as bancadas de cada partido serão menores, diminuindo as forças hegemônicas. O MDB, de acordo com as lideranças do próprio partido, deve fazer no máximo 55 parlamentares. Em 2014, elegeu 66 deputados federais. O PT, que era a maior bancada, também projeta que só deverá conseguir eleger entre 50 e 60 deputados. Do outro lado, algumas siglas hoje ligadas ao Centrão acreditam que vão ganhar força após outubro.

PP e PR

A eleição poderá levar ao crescimento de alguns partidos. PP e PR, atualmente com bancadas de 49 e 40 deputados, respectivamente, acreditam que podem chegar a até 60 parlamentares. E atuais nanicos tendem a crescer. O PSL, de Bolsonaro, hoje com 8 deputados, poderia chegar a 15.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s