A febre do Like

Uma foto do café da manhã, da parede colorida ou do hambúrguer gourmet. Quem nunca publicou suas experiências na internetque atire a primeira pedra.

Os “instagrammers” – aqueles que não resistem a compartilhar um belo clique na rede social – estão por toda parte e confessam: já escolhem onde ir pela “chuva de likes” que podem receber.

Sintoma desse novo modo de viver, uma exposição em São Paulo resolveu facilitar. Por lá, nada de proibir tirar fotos. Pelo contrário: as imagens dos 28 cenários – coloridos e nomeados com hashtags – são incentivadas. “Todos foram criados para serem interativos e fotografáveis”, diz Vera Kopp, idealizadora da FunCast, no Jardim Pamplona Shopping, na região central paulistana.

queria ter opções para deixar seu Instagram mais bonito. “Gosto do feed organizado por cores”, dizia ele, enquanto se contorcia para caber em uma banheira cor-de-rosa. Antes, já tinha garantido, para o futuro, o tom de verde em outro cenário.”Esperávamos adolescentes, mas o público que mais visita é adulto”, diz Vera. Desde julho, mais de 5 mil pessoas passaram pela exposição, com ingresso a R$ 50.

A ideia veio de fora. Nos Estados Unidos, espaços “instagramáveis” fazem sucesso. O Museu do Sorvete, com doces gigantes, teve ingressos esgotados na inauguração, em Nova York. Com 57 mil seguidores, a professora de natação Cris Oliveira, de 23 anos, diz que os cenários ajudam no “desempenho” das fotos no Instagram – a maior parte sobre cabelo e maquiagem. Por isso, vive de olho em lugares fotogênicos e busca na internet imagens de onde ir. Prefere pontos charmosos, como vilas. “Já fui a uma cafeteria e consumi para tirar fotos bacanas.”

Experiência

Lucia Robertti, de 23 anos, é outra que não resiste a um clique. Quando uma sorveteria abriu na Rua Augusta, na região central, ela juntou as amigas blogueiras e youtubers para conferir. Rodeado de algodão-doce colorido, o sorvete da Dona Nuvem bombou. “Ele é bom, mas tem a ver com o visual também”, diz a jovem que trabalha com e-commerce de moda. “A experiência de tomar o sorvete começa nas redes”, conta Manoel Lima, idealizador da Dona Nuvem.

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