As campanhas decepcionantes de Ciro e Alckmin

O ex-ministro Ciro Gomes e o ex-governador Geraldo Alckmin dependem de fatos sobrenaturais para chegar ao almejado segundo turno das eleições presidenciais. É o que sugere a pesquisa do Ibope, divulgada na segunda-feira (24). Ela mostra Ciro e Geraldo com 11% e 8% das intenções de voto, respectivamente. Os números mostram que os candidatos ficaram estacionados na comparação com a pesquisa anterior.

Há duas semanas, Ciro estava à frente do petista Fernando Haddad. Mas a benção do ex-presidente Lula fez Haddad disparar e deixar Ciro – um adversário nos votos da esquerda – comendo poeira. Os ataques de Ciro contra Haddad não surtem os efeitos desejados. As frases de efeito de Ciro para tisnar Jair Bolsonaro (PSL) e conquistar eleitores do centro e direita, insatisfeitos com Alckmin, são improdutivas.

A situação de Alckmin revela-se ainda mais frágil que a de Ciro. O tucano montou um arco de alianças que lhe permitiu um bom tempo de televisão e palanques em vários lugares. Mas a cada pesquisa decepcionante, mais aliados o abandonam. “Os candidatos a deputado federal não pedem voto para Alckmin. Pedem para governador, mas para presidente não”, disse um parlamentar mineiro desanimado com a campanha do tucano. O pouco entusiasmo de caciques do partido, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e denúncias contra correligionários são golpes duros contra alguém já fatigado.

A manutenção de Bolsonaro com 28% das intenções de voto é notícia alvissareira para ele, pois assegura sua participação no segundo turno. Alguns assessores, no entanto, acreditavam que ele ultrapassaria os 30% na pesquisa, e isso o aproximaria da vitória já no primeiro turno. Para isso acontecer, no entanto, Alckmin precisaria ter caído para cerca de 5%. A campanha de Bolsonaro continuará brigando com o tucano com o objetivo de lhe arrancar os votos que considera necessários para um triunfo antecipado. Também sonha em captar votos de outros candidatos da direita, como Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo). O empenho em vencer no primeiro turno é compreensível, já que as simulações de segundo turno são preocupantes para Bolsonaro. Perderia para Haddad, Ciro e Alckmin. Entre os principais candidatos, só empataria com Marina, que está fora da corrida.

Haddad é quem mais se fortaleceu na disputa. Pulou de 19%, na semana passada, para 22%. Isso mostra que está cada vez mais conhecido entre os eleitores de Lula e ainda há margem para subir. O crescimento nos levantamentos também indica que, a exemplo de Bolsonaro, pode atrair votos que iriam para outros candidatos, como Marina da Silva (Rede), que caiu de 6% para 5% e embolou com o pelotão de baixo. O próprio Ciro pode se tornar uma presa. Haddad foi proibido de reagir a ataques disparados pelo pedetista porque espera contar com seu apoio no segundo turno das eleições. Outra vantagem de Haddad é a menor rejeição ante Bolsonaro. Haddad tem 30%. A rejeição a Bolsonaro subiu de 42% para 46%.

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