O Brasil deveria olhar mais para a Argentina, afirma Paulo Guedes

O economista Paulo Guedes, indicado para assumir o comando do ministério da Fazenda na Presidência de Jair Bolsonaro, nunca foi reconhecido pela diplomacia de suas declarações. Horas depois da eleição do candidato do PSL, ele afirmou a uma repórter argentina que o Mercosul não é uma prioridade. A declaração surpreendeu os membros do bloco e chamou a atenção do também economista Marcos Lisboa, presidente do Insper. Mais do que comentar a controversa atitude, Lisboa jogou luz sobre a economia do país presidido por Maurício Macri, que deixou de fazer o ajuste fiscal e desencadeou uma crise cujo custo será muito grande para a sociedade. Como o Brasil tem problemas semelhantes, os erros cometidos lá devem ser evitados aqui. “Precisamos de um ajuste significativo nas despesas e nas receitas recorrentes da ordem de R$ 300 bilhões por ano”, diz ele, que entre 2003 e 2005 foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, no primeiro governo Lula, e entre 2006 e 2013 foi diretor-executivo e vice-presidente do Itaú Unibanco.

DINHEIRO – Qual é o seu maior medo sobre o Brasil, hoje?

MARCOS LISBOA – Nessa polêmica envolvendo o Mercosul, o Brasil deveria olhar um pouco mais para a Argentina. O governo Macri começou com muito otimismo, com medidas de impacto, acertando a questão dos subsídios, mas sem fazer o ajuste fiscal. O déficit da Argentina, hoje, é o mesmo que era há três anos. Qual é o resultado de não ter feito o ajuste estrutural? Nada mudou nesse período. O resultado foi que a inflação continua alta, em dois dígitos, e o país passa por graves dificuldades. Essa crise argentina vai ficar pior. O custo social do ajuste é gigantesco para uma inflação de 20%, 30% ao ano. O país não cresce e está ameaçado de uma grave crise o tempo todo. É uma armadilha terrível para um país viver nessa situação. O Brasil tem a oportunidade de fazer esse ajuste e de enfrentar os problemas estruturais. Meu receio é gastar tempo demais com medidas não-recorrentes.

DINHEIRO – A Reforma da Previdência é um começo?

LISBOA – É um primeiro passo importante, simbólico e relevante a longo prazo. Mas está longe de ser suficiente. O País tem uma oportunidade, ao longo de 2019, de enfrentar o problema estrutural. É fazer isso ou ir para medidas paliativas, que às vezes têm um impacto e as pessoas ficam satisfeitas. Mas depois a realidade bate à porta, que é o que houve na Argentina. O País deveria prestar um pouco mais de atenção nos erros de lá para não repeti-los por aqui.

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