Desenhos contra o racismo

Premiado com o Eisner e o Jabuti, o quadrinista Marcelo D’Salete se consagra ao tratar histórias do período escravista no Brasil

“Era apenas um garoto que gostava de desenhar, morador de São Mateus, zona leste de São Paulo” disse Marcelo.

Marcelo D’Salete fez seus primeiros traços ainda criança, com a ajuda do irmão mais velho. Quando adulto, percebeu que sua arte poderia — e deveria — ser usada para fazer críticas ao racismo. “Passei boa parte da minha formação sem acesso a este tipo de conhecimento, nem nos livros. Pelo contrário, quase todas as menções sobre cultura, arte e história negra sempre passavam pelo exotismo, preconceito e subalternidade”, diz. Hoje, professor e ilustrador, quadrinista e mestre em história da arte, D’Salete se consagra no Brasil e internacionalmente.

Neste ano, conquistou o Eisner, maior premiação literária da categoria de quadrinhos no mundo, com o livro “Cumbe”. “Ganhar esse prêmio por contar minhas histórias é algo imensurável”, diz ele. Seu trabalho também foi reconhecido pelo Jabuti, que o premiou por “Angola Janga — Uma História de Palmares”. Os dois, “Cumbe” e “Angola Janga”, foram aprovados no PNLD (Plano Nacional do Livro Didático). Assim, passam a fazer parte das leituras obrigatórias dos alunos do ensino médio. “O essencial é a pluralidade artística, subverter uma lógica de opressão e invisibilidade”, diz.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s